A presença de Cid Gomes, então Ministro da Educação era aguardada com grande expectativa na Câmara dos Deputados, para onde foi convocado a fim explicar a expressão “400,300 deputados achacadores”, termo usado em palestra, no final de fevereiro, na Universidade Federal do Pará.
Enquanto não comparecia na Casa Legislativa, amparado por atestado médico, o assunto causava mal-estar no meio político.
Talvez o dito pudesse ficar pelo não dito caso Gomes se desculpasse diante dos deputados, porém, o possível aconteceu e de maneira muito aguda; da tribuna da Câmara, o Ministro Cid Gomes foi incisivo, ao repetir a afirmação e inclusive apontar o dedo em riste contra o Presidente da Casa que o teria chamado de mal educado.
Usando da palavra, o Ministro declarou: "Eu fui acusado de ser mal educado. O ministro da Educação é mal educado", afirmou, em referência à declaração de Eduardo Cunha, feita logo após articular a convocação de Gomes. E continuou, apontando para o chefe da Câmara: "Eu prefiro ser acusado por ele do que ser como ele, acusado de achaque, que é o que diz a manchete daFolha de S.Paulo”.
Sem apresentar documentos, o discurso recheado de palavras provocatórias transmitiu direitinho o pensamento do ministro que foi muito claro ao dizer que não concorda com a postura de alguns, de vários, de muitos, que mesmo seus partidos estando no governo, tenham postura de oportunismo.
LARGUEM O OSSO
Talvez o parlamento nunca tenha recebido representante do Executivo com palavras tão duras; e o pior ainda estava por vir, quando Cid Gomes completou o que tinha para dizer: os aliados que votam contra o Palácio do Planalto deveriam "largar o osso" e "sair do governo".
A fala de Cid ‘incendiou’ o plenário, resultando em reprovação multipartidária. O ministro teve que abandonar a Casa e sair já sem condições de continuar no cargo no MEC.
ACHAQUE
O dicionário Michaelis define “achacar” como verbo transitivo direto e, tem como principal significação - acusar, fazer queixa ou denúncia contra. Porém, na quarta definição, achacar significa abordar alguém para extorquir dinheiro.
CORAJOSO
Considerado o cenário atual, quando as forças políticas que apoiam o governo, aparentemente estão em pé de guerra, contra o próprio governo, quem sabe, em vista das denúncias do petrólão, acusar “400, 300 deputados de achacadores” e, sustentar a denúncia de viva-voz, no plenário da Câmara Federal pode até ser considerada uma atitude corajosa, ousada e, quem a faz tem que estar disposto a pagar o preço político pelo que afirmou.
INSUSTENTÁVEL
A demissão do cargo, no Ministério da Educação, pasta com o segundo maior volume de recursos no governo, foi o primeiro passo do próprio governo desaprovando seu ministro que perdeu a condição política de sustentabilidade no cargo.
GOVERNO EM PERIGO
Com as palavras do então representante do Executivo, o PMDB ameaçou deixar a base de sustentação do Governo, ameaçando passara à condição de oposição; entre outras consequências, foi cogitada a colocação em votação o repasse do aumento do salário mínimo para os aposentados.
CONSLUSÃO
Aos demais parlamentares, o próprio Presidente da Câmara anunciou a demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação, logo que Aloizio Mercadante lhe telefonou informando que Cid Gomes não era mais ministro.